DORIA FAZ CAIXA NA PANDEMIA E SE IGUALA A BOLSONARO

O governador de São Paulo João Doria teve a coragem de escolher poupar recursos ao invés de investir em mais ações de combate ao coronavírus. É o que se pode concluir do estudo apresentado pela Plataforma Justa. A pesquisa aponta que o Estado encerrou 2020 com R$ 12,3 bilhões no caixa a mais do que em 2019. Os números são reveladores das reais prioridades de Doria em meio à pandemia da covid-19, que até 15 de abril vitimara mais de 86 mil paulistas.

Esse montante de recursos poderia ser investido em uma série de medidas de enfrentamento à pandemia. Uma delas é a instituição de uma renda básica emergencial paulista, proposta levantada pela bancada do PT na Alesp em abril de 2020, segundo mês de pandemia. Documento entregue pelos petistas apresentou o Programa Estadual de Transferência e Complementação de Renda, que se somaria ao auxílio emergencial pago a contragosto pelo governo federal a partir daquele mês.

Mesmo com o avanço da pandemia, Doria não sinalizou em momento algum a implantação da renda básica. No máximo ampliou sensivelmente os valores e o número de beneficiários de programas sociais já existentes, como Renda Cidadã, Ação Jovem, Bolsa Trabalho e Via Rápida. No começo de abril, quando volta a ser pago o auxílio emergencial do governo federal encerrado em dezembro, o governador anunciou o programa Bolsa do Povo para unificar e ampliar os programas sociais do Estado. Segundo a gestão tucana, o Bolsa do Povo irá pagar até R$ 500 por mês a cerca de 500 mil pessoas e terá um investimento de R$ 1 bilhão em 2021. Doria divulgou a iniciativa como o maior programa social da história de São Paulo.

Tem dinheiro para beneficiar mais pessoas

Frente aos R$ 12,3 bilhões nos cofres de São Paulo revelados pelo Justa, o valor de R$ 1 bilhão do Bolsa do Povo é risível. O público atingido, 500 mil pessoas, também está longe da demanda da população se tirarmos como referência os 2,6 milhões de beneficiários do auxílio emergencial no estado em junho de 2020, segundo o Portal da Transparência do governo federal.

Com os recursos em caixa, Doria poderia aproveitar o cadastro do auxílio emergencial, cinco vezes maior, e aumentar a base de beneficiários do Bolsa do Povo. Ainda sobraria dinheiro em caixa, permitindo até aumentar o valor do benefício. Com o Brasil enfrentando seu pior momento na pandemia e a fome se alastrando, disponibilizar renda para as pessoas garantirem seu sustento e ficarem em casa é fundamental para reduzirmos as contaminações por covid-19.

Isso para não falarmos da recusa em pagar uma renda básica ainda em 2020. Imaginem quantas vidas poderíamos ter salvado com um programa abrangente, que permitisse aos mais vulneráveis melhores condições para se alimentar e reduzisse, assim, a necessidade de trabalhar normalmente ou buscar doações?

#BolsoDoria

Adepto do bolsonarismo nas eleições de 2018, com o slogan de BolsoDoria, João Doria tentou se distanciar de Bolsonaro meses após ser eleito. No decorrer da pandemia e de olho em 2022, tem se colocado como um contraponto ao presidente negacionista, dizendo priorizar a ciência e a vida. No entanto, ao preferir economizar dinheiro ao invés de destinar mais recursos à população mais pobre, Doria mostra suas verdadeiras prioridades e encarna o mesmo menosprezo à vida, à ciência e aos mais pobres ostentado por Bolsonaro.

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